Aqueles que me vêem sempre a rir
Com o meu cigarro amargo e rotineiro
Os meus gestos prepotentes no cinzeiro
Não podem imaginar o que eu vivi
Que quando faço versos eu primeiro
Idealizo nos meus sonhos a amargura
E ponho no papel a alma escura
Que eu escondo a chorar no meu banheiro!
E eu disfarço essa dor nas aparências,
Esse câncer a me comer, essa doença...
Como alegria dos coristas, tão fingida
Eu celebro a indiferença coroada
Da plateia que sorri sem saber nada
Aplaudindo o falso truque da minha vida!
Augusto de Almeida...









